A Fé Infantil e A Ameaça de Rebaixamento

“Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele.” Lc 18:17

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Há onze anos atrás eu voltava de um retiro no Rio de Janeiro enquanto o Inter jogava contra o Paysandu, decidindo sua permanência na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Eu era um recém convertido, como pouco menos de um mês de experiência cristã. Durante todo aquele fim de semana esqueci do futebol, no entanto durante a viagem de volta a Porto Alegre o drama do jogo voltou à minha mente. Em uma época sem Smartfones era difícil acompanhar as partidas. Não acompanhei nem pelo rádio, mesmo que fosse uma rádio de outro estando dando apenas o resultado. Somente lembro que orei muito para que o pior não acontecesse. Em uma parada da viagem, em Santa Catarina, soube do resultado do jogo e também que estávamos livres da segunda divisão.

Onze anos depois o risco de rebaixamento bate a porta novamente, mesmo que seja mínimo segundo as estatísticas, e me faz parar pra pensar se poderia orar da mesma maneira. A maturidade Cristã nos faz pensar que Deus tem coisas muito mais importantes para pensar que em um simples jogo de futebol. Nos faz pensar que se porventura ele pensa em jogos de futebol, como privilegiar a oração por um clube, quando outros oram por outro clube? Como saber se Deus não está permitindo que a soberba seja derrubada? Ah! Era muito mais fácil orar naquele distante 2002, quando a fé em Jesus ainda não possuía quase nenhum conhecimento.

Talvez nesse ponto Deus não queira nos ver crescidos. A fé infantil tem como seu alvo um pai cheio de amor e compaixão que se importa com nossos sofrimentos. A fé de uma criança espera ardentemente que seu pai venha em seu favor. O choro é um sinal de dependência e rendição, um sinal que chama aquele que pode interferir e transformar qualquer situação. Talvez seja por isso que Deus permite que passemos por sofrimentos terríveis, pois quando estamos no meio dele, não temos outra alternativa senão nos pormos de joelho orando. Paulo afirmava que “chegou a desesperar da própria vida para aprender a crer no Deus que ressuscita os mortos.”

Crescer significa entender melhor o mundo a nossa volta, no entanto jamais pode significar perdermos esta confiança infantil no nosso Deus!

Em Cristo

Silvio Barbosa

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