Sempre vamos a Deus por necessidade

De tempos em tempos uma velha discussão aparece na igreja: como lidar com pessoas que se aproximam do evangelho em busca de alguma coisa. Somos rápidos em condená-los, mostrando como seu pensamento é limitado. Igrejas ficam lotadas todos os dias por pessoas necessitadas. Muitos entregam seus bens em busca de uma resposta imediata para seus problemas. O que Jesus diria?

É melhor ouvir o que ele disse ao invés de tentar imaginar o que ele diria:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” Mt 11:28

Jesus era perseguido todos os dias por pessoas em busca de milagres. Uns buscavam cura, outros libertação, outros alimentos. De fato são inúmeras as passagens que relatam homens e mulheres atrás de Jesus para a solução de problemas específicos. Cegueira, paralisia, fluxo de sangue são apenas alguns dos motivos. Outros buscavam respostas para suas dúvidas, outros aprovação, outros ainda buscavam a libertação política de Israel. De fato é muito difícil encontrar passagens em que as pessoas chegavam a Jesus sem nenhum interesse. Em uma passagem dura de Jesus após a multiplicação dos pães, apenas os doze permaneceram, pois Jesus tinha “as palavras de vida eterna”, mostrando seu interesse na vida que Jesus proporcionaria. Dos 12 à multidão, todos vinham por interesse.

“Se não vir pelo amor, vem pela dor” é uma frase bem corrente em nossas igrejas, no entanto falha ao captar a realidade do ministério de Jesus. De fato apenas a dor nos leva a Deus. O arrependimento genuíno é doloroso e traz consigo o pavor da condenação e um sentimento total de incapacidade. Todos vamos a Deus por necessidade, mas só somos salvos quando percebemos que a reconciliação com Deus é o que de fato precisamos. Deus não precisa de nós, nós precisamos dele. “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera.” Is 64:4

Nosso grande orgulho é dizer que temos algo a oferecer a Deus. Ah! Como somos arrogantes! Nos salmos não passamos de pó, de sopro. Nossa justiça trapos de imundícia  Se conhecêssemos a Deus de verdade não condenaríamos os inocentes. Somos como os fariseus que se vangloriavam de serem fieis e zelosos. Lamento informar a você que os publicanos de hoje saem justificados e nós condenados. Quando levantamos nosso dedo contra ministérios que mal conhecemos, estamos incorrendo em soberba espiritual. Quem é você para julgar a obra do seu próximo? Já chorou por ele? Já testemunhou pra ele? Já parou para conversar? Ou vai continuar a simplesmente reproduzir seus preconceitos?

Aqueles que mercadejam a fé serão julgados por Deus. Paulo se alegrava por que mesmo assim o evangelho avançava. Você ficaria muito surpreso se visse que muitos desses tem levado mais pessoas ao reino do que você. Você ainda se acha no direito de julgar? Quem pregou o evangelho somente por interesse será castigado por Deus, mas você, que se orgulha de ter a verdade, vai sair impune por esconder essa verdade dos que precisam dela? Não se engane. Quem você pensa que engana? Deus? Se julgássemos a nós mesmos, não seriamos condenados.

Não critique as razões de alguém que está se aproximando de Deus. O filho pródigo voltou porque estava com fome e encontrou um pai de braços abertos. Muitos virão apenas por interesse, mas Deus se mostrará a eles e os dará salvação. A nós resta apenas a alegria de saber que em Jesus os mortos ressuscitam, os cegos veem, os surdos ouvem e a todos é anunciado o reino. Essa é nossa porção. O resto é entender nossa miséria e clamar todos os dias pelas riquezas de Deus em nossas vidas. “bem aventurados os pobres em espírito, pois serão saciados.”  Esse sou eu. Pobre, cego e nu, desesperado todos os dias por mais de Deus, enfrentando batalhas que não sou capaz de vencer, mas com a certeza de que o meu paizinho cuidará de tudo pra mim. Ele é o meu pai, ele é o seu pai. Cheio de dádivas. “galardoador daqueles que o buscam”. Não precisava nos dar nada, mas o seu amor é tão grande que não recusou dar-nos seu filho unigênito. Todo o resto é menor e no tempo certo vai te dar. Confie. Ele não mudou.

Em Cristo

Silvio Barbosa




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