Ouvindo bons conselhos

1 Reis 12:9-10 E disse-lhes: Que aconselhais vós que respondamos a este povo, que me falou, dizendo: Alivia o jugo que teu pai nos impôs? E os jovens que haviam crescido com ele lhe falaram: Assim dirás a este povo que te falou: Teu pai fez pesadíssimo o nosso jugo, mas tu o alivia de sobre nós; assim lhe falarás: Meu dedo mínimo é mais grosso do que os lombos de meu pai…”

Roboão havia sido  coroado rei no lugar de seu pai Salomão, e logo nos primeiros momentos recebe uma comitiva em busca de uma redução na carga pesada de impostos que o povo pagava. Observando o contexto, é claro que este momento foi usado por Deus como consequência da desobediência de Salomão, ao qual Deus informou que dividiria o reino. No entanto, para este fim, Deus usa a falta de sabedoria de Roboão.

O jovem rei convoca os conselheiros de seu pai e pergunta o que deveria fazer, estes sabiamente aconselham a ceder a fim de ganhar a confiança e o carinho do povo, porém ele não fica satisfeito com a resposta e convoca seu amigos para opinarem sobre tão importante questão. Estes o aconselham a piorar o jugo de maneira arrogante. Roboão prefere dar ouvidos a voz da soberba e a consequência é realmente a divisão do reino. Dar ouvidos aos bons conselhos é importantíssimo para o sucesso em nossas vidas.

Não cabe aqui dizer que somente os mais velhos são capazes de dar bons conselhos, no entanto a experiência é uma grande aliada na hora sugerir um caminho ou um curso de ação. Devemos ser humildes o suficiente para perceber que outras pessoas trilharam caminhos antes de nós e estão aptos a nos dar importantes recursos para a tomada de decisão. Não somos capazes de entender todas as consequências de nossos atos, no entanto um amigo sábio é capaz de nos mostrar caminhos muitas vezes ocultos ao nosso entendimento.

Um homem sábio ouve muitos conselhos e julga cada um de forma a tomar as melhores decisões. Portanto, não sejamos orgulhosos, julgando que sabemos tudo, e comecemos a buscar ajuda daqueles que trilharam os caminhos antes de nós. Assim certamente chegaremos mais longe e seremos muito mais felizes.


Anúncios

Começar e terminar bem

1 Reis 11:4 “Porque sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era perfeito para com o Senhor seu Deus, como o coração de Davi, seu pai,”

Salomão foi com certeza o rei mais bem sucedido da história de Israel, no entanto não teve um final de reinado bom para se orgulhar. Davi já teve problemas no encerramento do seu governo, criados a partir de seu relacionamento impróprio com Bateseba, mãe de Salomão. Parece que a família de Davi realmente teve um relacionamento conturbado com o sexo feminino. Salomão chegou ao ponto de ter 700 mulheres e 300 concubinas, muitas delas de nações as quais Deus não permitia um contato tão próximo.

Indiferente à questão da quantidade de mulheres que ele tinha, algo ainda não proibido na época, o fato é que muitas dessas mulheres eram advindas de reinos que adoravam outros deuses que não o grande IAVÈ (eu sou) de Israel. Elas conseguiram convencer o homem mais sábio do mundo a participar de sua adoração, o que trouxe uma série de consequências ruins para o rei. Salomão que havia começado bem ao pedir sabedoria para governar o povo, agora termina mal se entregando a idolatria por influência de suas esposas. Disso veio a divisão do reino, hostilidade entre Israel e Judá, culminando com a deportação do povo para a Babilônia muitos anos depois.

É muito importante começar bem, no entanto é muito mais importante terminar bem. Em nossas vidas já observamos muitos inícios promissores, aos quais esperamos grandes feitos, mas que acabam abortados por escolhas ruins ao longo do processo. Não é possível minimizar os efeitos de nossas escolhas no dia a dia e nem imaginar que um bom começo é garantia de sucesso permanente. A vida é muito mais complicada e precisa ser vivida com a certeza que Deus avaliará nossas obras, trazendo luz inclusive àquelas que estão ocultas no fundo de nossos corações.

Na educação cristã, muitas vezes, nos dedicamos muito ao começo da caminhada, esquecendo que a maturidade é algo que vem em um processo gradativo. Acreditamos que se dermos uma boa base no primeiro ou segundo ano de conversão, isso será suficiente para garantir uma vida cristão de qualidade. Na prática não é bem assim, e precisamos como igreja perceber que o processo é mais importante que o início. Como pai recente, esforço-me ao máximo nos primeiros meses de vida de minha filha, mas este bom começo não servirá de nada se daqui para frente eu me tornar um pai negligente, autoritário e não amoroso. Os prejuízos para o futuro dela serão irrecuperáveis, por mais que o começo tenha sido bom. Maturidade se adquire aos poucos, de maneira gradual com uma séria de pequenas escolhas que criarão um futuro positivo.

Nunca estaremos totalmente isentos a erros, mas precisamos avaliar nossas vidas a fim de que eles não transformem o fim de nossas vidas em uma tragédia completa. Não podemos permitir que a arrogância dos bons começos nos deixe acomodados, nos fazendo esquecer das boas escolhas do dia a dia. Como Paulo, precisamos “esquecer das coisas que pra trás ficam, avançando em direção ao alvo”. Precisamos viver nossas vidas como  servos fiéis, sabendo que Jesus voltará sem aviso, ponderando nosso caminho e crescendo na fé todos os dias. Paulo combateu o bom combate e venceu. Salomão começou bem, mas sucumbiu. Que no final de nossas vidas possamos ser considerados vencedores, essa é minha oração e meu mais profundo desejo.


Transição

1 Reis 1:35 “Então subireis após ele, e virá e se assentará no meu trono, e ele reinará em meu lugar; porque tenho ordenado que ele seja guia sobre Israel e sobre Judá.”

Com estas palavras Davi indica Salomão para assumir seu lugar como rei de Israel. Davi havia sido muito bem sucedido em seu reinado. Apesar de alguns deslizes morais, um problema familiar grave e uma tentativa de golpe por parte de um filho, Davi gozava de bastante popularidade e expandiu de maneira significativa o território de Israel. No entanto ele já estava velho e precisava indicar seu sucessor. Adonias, seu filho, começou a preparar o caminho para ser ele o escolhido, porém Davi já havia escolhido Salomão  um filho jovem, nascido de uma falha moral de Davi, em suma o menos indicado humanamente para o cargo. Davi estava seguro em sua decisão, pois ele também havia sido escolhido rei a despeito das hierarquias de idade que existiam em Israel.

Em um ambiente turbulento, Salomão precisaria fazer a transição de governo, inicialmente na sombra e na popularidade de seu pai, mas com a necessidade de encontrar seu próprio caminho. No entanto, como podemos ler na sequência de reis, ele se considerava incapaz de cumprir a missão e em seu primeiro encontro com Deus pede sabedoria para governar o povo, no que é prontamente atendido por Deus. Ele foi considerado o rei mais sábio que Israel teve e com consequência de sua decisão granjeou riqueza e expandiu os domínios de Israel como nenhum outro, desfrutando de paz o que seu pai nunca conseguiu. Salomão conseguiu ser muito bem sucedido na missão de sair da sombra de Davi e pavimentou seu próprio caminho.

Uma transição nunca é fácil, seja em uma empresa  seja em uma igreja. Lideres que saem, seja qual for o motivo, deixam um missão complicada para seus sucessores. É necessário ter muita sabedoria a fim de não destruir o trabalho anterior e ao mesmo tempo não se tornar um mero administrador do que foi feito. Um líder novo precisa trabalhar seriamente a fim de conseguir fazer o seu grupo avançar. Trabalho em uma empresa com o costume de trocar suas lideranças em uma média de 3 anos. A transição é sempre complicada, no entanto  depois de passado o choque inicial somos capazes de perceber novas idéias, novas formas de fazer, desfazendo qualquer tipo de acomodação e gerando novos resultados. Não sou contra lideranças de longo tempo, mas estas precisam se reinventar ano após ano e com certeza precisarão ser substituídas quando da morte ou da aposentadoria desse líder. A igreja precisa permanecer e avançar.

Nossas igrejas foram muito machucadas com transições mal feitas. Falhas humanas, com certeza, no desafio de colocar o líder certo no lugar certo. Muitas inimizades são criadas nesses períodos, no entanto transições não precisam ser dolorosas. A criação de lideranças locais ajuda muito nesse processo, tendo sempre um substituto pronto para qualquer emergência, assim cabe a igreja investir nos seus jovens a fim de sempre garantir a renovação da liderança em mudanças suaves e não traumáticas. Que nossas igrejas sejam sábias a fim de nunca destruírem uma congregação na mudança de sua liderança.


Torne-me uma pessoa sábia

1 Rs 3:9 “A teu servo, pois, dá um coração entendido para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; porque quem poderia julgar a este teu tão grande povo?”

Em um dos momentos mais marcantes da história de Salomão, Deus pergunta a ele o que gostaria de ter. Normalmente um rei pediria grandeza, vitória sobre seus inimigos ou riquezas. Cada um desse fatores era importante pra manter e desenvolver um reino, no entanto Salomão percebia que existia um fator muito mais importante: a sabedoria. Salomão era jovem quando assumiu o reinado, então pediu a Deus que o enchesse dessa característica.

No livro de provérbios ele afirma “sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possues na aquisição de entendimento.” (Provérbios 4:7). Ele sabia que tudo na vida depende da sabedoria com que lidamos com os fatos cotidianos. Em uma passagem, quando questionado por duas mães sobre de quem seria um filho vivo, para poder decidir, ele dá um resposta típica dos reis da época: Corta o bebê ao meio! Em sua grande sabedoria, percebeu que a verdadeira mãe preferiria ver o filho com outra do que morto. Como rei ele poderia determinar qualquer coisa, mas como homem sábio sabia fazer a verdade vir a tona. Seu reinado foi o mais pacífico e grandioso devido ao seu relacionamento precoce com o entendimento.

Infelizmente em nossas igrejas, muito poucas pessoas estão preocupadas em adquirir sabedoria. Não é errado orar por curas, bençãos materiais, entre outras coisas, no entanto nossas orações ganhariam um novo nível se buscássemos a sabedoria. Saberíamos assim a orar melhor, sendo mais eficientes e recebendo muito mais daquilo que pedimos. A mulher sábia edifica a casa, a néscia à derruba. o líder sábio traz crescimento, o que não é cedo ou tarde destrói seu rebanho.

Tiago nos encoraja a pedir sabedoria que Deus dá a todos, sem lançar em rosto. Ele está disposto a nos tornar preparados para andar sabiamente em nnossos caminhos. Cabe a nós valorizar e buscar entendimento, a fi de adquirirmos maturidade. Sabedoria não é exclusividade dos velho, mas provém de nossas experiências com Deus e da ação do Espírito Sano em nossas vidas. Minha oração é que Deus nos dê grande sabedoria hoje e até o último dia de nossas vidas.


Cantai ao Senhor um cântico novo!

Salmo 96:1 “Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao senhor toda terra.”

 O povo de Israel têm, desde muito cedo, o hábito de cantar músicas em honra a Deus. Após a passagem pelo mar vermelho, podemos observar uma grande cantoria em homenagem ao Deus que deu uma grande vitória ao seu povo. Centenas e milhares de músicas podem ter sido cantadas ao longo da história de Israel, mas no Salmo 96 o salmista nos encoraja a cantar um cântico novo… o que isso significa?

Inicialmente poderiamos acreditar que existiria uma critica aos cânticos antigos, no entanto não parece ser esta a intenção do autor. Na história de Israel havia um acervo riquissimo de músicas compostas nos mais marcantes momentos de sua história. Alguns deles estão eternizados nas páginas da Bíblia e nos trarão ensinamentos profundos por muito e muito tempo. No entanto, Deus continua encorajando seu povo a não permanecer somente no passado para avançar para aquilo que está adiante.

Não podemos idolatrar métodos antigos que hoje não trazem mais resultados. Cantar um cântico novo significa se abrir para aquilo que nunca foi feito e abandonar o mundo confortável que vivemos. Cantar um cântico novo significa sair de Jerusalém e pregar na Samaria. Significa pregar aos gentios. Significa ir até Roma e confrontar o imperador. Significa ir até Cornélio por uma visão. Cantar um cântico novo significa abrir-se a métodos modernos para levar a todos a mensagem eterna do evangelho.

Clemente de Roma, no século II, afirmava que os cristãos eram fiéis aos ensinamentos de Cristo, mas adaptáveis à cultura e aos costumes de sua época. Precisamos apreender a discernir o que é eterno, daquilo que é temporal. Precisamos entender que os métodos mudam, mas a mensagem permanece a mesma. Novos ritmos, novos instrumentos, novas melodias, novas letras, novo vocabulário. Tudo isso contribui para a Glória de Deus. Honramos o passado, mas sempre atentos ao que Deus vai fazer logo ali na frente.

Se eu puder deixar apenas um conselho: não se apegue tanto às formas que Deus abençoou para não perder aquilo que Deus ainda vai abençoar. Lembre-se que as fórmulas mudam, mas Jesus permanece o mesmo ontem, hoje e sempre, tendo prazer em nos tirar da zona de conforto em direção aquilo que ele de antemão preparou para nós.


Poder Político

At 1:6 “Então os que estavam reunidos lhe perguntaram: ‘Senhor, é neste tempo que vais restaurar o o reino a Israel.'”

Jesus batalhou bastante com a incompreensão sobre sua missão na terra. Os judeus haviam postulado uma grande variedade de teorias sobre o propósito da vinda do Messias a terra. Eles esperavam alguém da linhagem de Davi, apto a liderar a nação para a reconquista do território perdido para nações mais poderosas militarmente. Criam que Deus daria ao seu ungindo o poder de vencer os inimigos da nação, trazendo novamente a glória que Salomão desfrutou em seu reinado. Esperavam um libertador político, por isso não foram capazes de aceitar a mensagem de Jesus. Jesus mesmo os criticou por buscarem “glória humana”. o objetivo dos líderes da nação era serem respeitados pelos reinos da terra novamente. Os primeiros discípulos de Jesus ainda estão impregnados por esta noção política do reino, não sendo capazes de compreender na totalidade os ensinos de Jesus.

Jesus rompe com a noção política ao ressaltar que não cabe aos seus discípulos saber tempo e estações, mas por outro lado receberiam poder para serem testemunhas de Jesus no mundo todo (At 1:7,8). em Lc 17:21 ele pontua que o Reino não viria de forma visível, mas estaria no meio deles. Na sua crucificação, ao ser questionado por Pilatos, tem plena consciência que se seu reino fosse desse mundo, o pai enviaria uma série de anjos para libertá-lo e trazer vitória. No entanto, o reino espiritual proposto por ele  é muito mais abrangente, trazendo redenção através de seu sacrifício  libertando o homem do poder de satanás, mesmo que permaneça sujeito a Roma. Jesus veio para trazer libertação espiritual, fazendo do escravo um homem livre, mesmo enquanto pudesse permanecer como escravo. Deus é o libertador e o recompensador de todos os homens que a ele se achegam.

Contudo, é muito fácil esquecermos essa verdade e sermos seduzidos pelo poder humano. Acabamos de passar por um período eleitoral, no qual vimos o apoio de muitas igrejas a determinados candidatos e em alguns casos até indicando candidatos próprios para estes cargos eletivos. O pensamento que por trás desses apoios é que se tivermos membros piedosos no congresso, leis mais santas serão aprovadas, leis ímpias serão rejeitadas e o pais será ppor causa disso mais piedoso. Não critico o envolvimento político dos crentes, nem o desejo legítimo de eleger bons políticos, no entanto a política jamais será capaz de trazer a justiça que somente Deus pode criar. Não adianta criar leis contra o homossexualismo, enquanto esta conduta estiver nos corações dos homens. Não adianta criar leis contra o divórcio, contra o aborto, quando lares continuarão a ser destruídos todos os dias e bebes indefesos serão assassinados sem poder de reação.

A metanoia, mudança de mente, arrependimento é algo que vem de dentro pra fora através da confiança em Jesus e da ação do Espírito Santo. Paulo pontuou que pela lei ninguém será salvo, seja pelas do Antigo Testamento, seja pelas da constituição brasileira. A igreja precisa voltar suas forças para o testemunho daquele que é poderoso para salvar, pois o céu não é habitado  por cumpridores das leis, mas por homens e mulheres redimidos pelo sacrifício de Jesus. Chega eleição, passa eleição e esperamos um messias que resolva os problemas do nosso país, acreditamos até descobrir que os candidatos a messias são tão falhos e incapazes como todos os outros que o antecederam. É fácil criticar os fariseus, no entanto fazemos o mesmo que eles: esperamos um messias que já veio e que é capaz de transformar uma sociedade de dentro pra fora, capaz de trazer alegria, satisfação e, por que não, justiça social.

Um legítimo cidadão do Reino será com certeza um bom cidadão, no entanto um bom cidadão não necessariamente um cidadão do Reino. precisamos colocar nossas forças naquilo que é eterno, invisível  pois tudo aqui na terra passará. Precisamos tomar posse do poder que temos, testemunhando, a fim de que as pessoas realmente sejam transformadas. Nós somos os eleitos de Deus para esta missão e ele espera de nós apenas fidelidade. Sejamos os agentes da revolução de Jesus, mudando a sociedade pelo amor e pelo poder do Espírito Santo.